Socialmediafobia

As redes sociais ultrapassaram a pornografia como atividade de maior interesse na internet. É o que diz o vídeo publicado pelo blog Socialnomics. E mais: 78% das pessoas confiam em recomendações de seus conhecidos, enquanto apenas 14% dá crédito à publicidade. Como já dizia o slideshow anterior, se a sua empresa ainda não presta atenção em mídias sociais não está apenas perdendo dinheiro, está pedindo pra afundar de forma rápida e irreversível. Porque todas as outras estão ligadas. E as mudanças sobre as formas de comunicação e negócios são inevitáveis e imprevisíveis. Tentar acompanhar as novidades é enlouquecedor. Agora que você finalmente entendeu o Orkut, aparece o Twitter. E o que fazer? Criar sua rede? Investir nas que já existem? Como saber o que é modinha e o que modifica de fato a estrutura do modo como nos relacionamos?

Se formos falar sobre jornalismo apenas, não falta quem mencione o eminente fim dos jornais. Para que serve um jornalista? Como deve ser seu perfil profissional? Como as pessoas consomem notícias? O que é relevante para elas? Quais redações estão acertando ou errando na implacável luta pela sobrevivência, pela atenção da audiência? Para muitos, é como perder o chão: como se nada do conhecimento conquistado até agora servisse para qualquer coisa. Como se estivéssemos passando por um portal, rumo a um mundo totalmente novo.

Nem o Google se salva: de acordo com as estatísticas do vídeo, cada vez menos as pessoas fazem buscas e cada vez mais elas esperam encontrar (ou ser encontradas) produtos de seu interesse nas redes das quais fazem parte. O novo mundo é baseado em streaming de conteúdo e recomendações de amigos, em reputações construídas e destruídas em votações online e em comentários ligeiros no Facebook.

Tentar entender e, melhor ainda, tentar tirar proveito dessas novidades pode ser assustador. E talvez seja tentador simplesmente tentar ignorá-las o máximo de tempo possível. Não duvido que muitas pessoas acabem desenvolvendo uma espécie de “socialmediafobia”: tanto quem começa a tentar desvendá-las de boa vontade e se sente incapaz de acompanhar todas as novidades, quanto quem lê uma reportagem sobre a planta que “tuíta” quando precisa de água e concluí rapidamente que isso tudo é uma grande bobagem. Eu chutaria que, em breve, esse deve virar um transtorno de ansiedade comum em executivos e empresários em geral. Isso sem falar em jornalistas.

Se você já está se sentindo oprimido pela necessidade de entrar nessa onda (sob o risco de se afogar se não conseguir surfá-la), recomendo uma respiração profunda e a leitura deste texto: Don’t keep up with social technology. Pode parecer um conselho suicida, mas não. Trata-se de uma luz de bom senso entre tantos holofotes descontrolados sobre as redes sociais.

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